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segunda-feira, 13 de julho de 2015
Caso ad.02
Me chamo Bruna. Na realidade minha mãe queria que meu nome fosse Flora Liz. Acho que seria legal. Com certeza seria a única. Já Bruna só na minha série tem duas. Na escola, nem sei. No face, tenho sete amigas Bruna. Ou seja. Normal.
Acho que Flora Liz cairia muito melhor. Na realidade não me acho assim tão normal. Tenho uma vida meio diferente. Já morei em Recife, São Paulo, em Brasília, Nova Iguaçu e agora, Catete. Onde estou agora. Nasci no Rio. Em uma família meio grande. Somos três meninos e duas meninas. Isso já não é normal. Todo mundo que eu conheço tem um pai, uma mãe, ou dois pais, duas mães...mas quatro irmãos! Do mesmo pai e da mesma mãe...só eu. Isso já seria motivo para me considerar uma alienígena. Mas, tudo bem. Éramos muitos para pouca grana. O que acontece quando um casal de classe média resolve ter cinco filhos? Sobra menos para cada um. Menos roupas, menos sapatos, escolas mais simples etc...isso sem falar que quando tinha Toddynho era disputado a tapa...risos. (ou quase)
Quando eu tinha treze anos meus pais se separaram. Sabe, acho que seria mais simples se eles se separassem antes. Com dois flhos pequenos seria bem mais fácil. Ou não. O que ocorre é que não só eles se separaram. Nós também. Com isso, ao contrário do que se poderia pensar, ficamos eu e minha irmã de quinze anos com meu pai. E minha mãe ficou em Nova Iguaçu com meus irmãos mais novos e minha avó que teve um AVC no ano passado.
Eu só fui com a minha Irma porque não queria me separar dela também. De certa forma, achava que deveria defendê-la. O que é meio estranho porque mesmo sendo dois anos mais nova, me achava bem mais forte que ela. Minha irmã já estava pensando em Enem, essas coisas e o Catete era bem mais perto da escola. Hoje em dia ela faz Psicologia na UFRJ. Achei bacana mas acho que não é para mim ficar escutando os problemas dos outros o dia inteirinho...não sei como você consegue. Aff...
Agora pense que eu não consigo tirar da cabeça um sonho. Ele já se repetiu varias vezes com poucas alterações. As vezes estou de carro, as vezes de moto. Acho ele muito louco. Minha irmã diz que é normal mas prometeu que, quando estudar melhor a tal da Psicanálise, ela poderá ajudar a interpretar o sonho. Sei que não ruim. Acordo feliz quando ele vem. Tenho medo de ser só um sonho. É como o contrário de um pesadelo. Lá vai:
“Estou sozinha em uma casa. Uma casa sem divisórias. Só tem um cômodo e as janelas. É estranho que não se pareça com nenhum lugar que eu tenha vivido...e quando eu subo ou desço as escadas que levam a casa...elas somem! As vezes, está chovendo, as janelas de vidro começam a bater forte é meio assustador mas eu deixo.
De repente, como é nos meus sonhos, apareço de moto ou carro – dirigindo. Tenho 17 anos mas só faço 18 em abril do ano que vem. Nunca pude dirigir nada alem de carrinhos de parque ou Kart. Meu pai é certinho demais para deixar.
Quando eu olho para o lado, minha mãe está ao meu lado. Ela está de cabelo solto, as vezes de óculos escuros, as vezes ela prende o cabelo mas está lá. Sorrindo e nem dá opinião para onde estamos indo nem quando está na garupa da moto. Linda minha mãe”