Espaço livre para expor opiniões e para interagir com leitores, pacientes e amigos. Tudo temperado com minhas 3 grandes paixões: Literatura, Cinema & Psicanálise. Seja bem vindo!
terça-feira, 13 de outubro de 2015
Já tomou seu remedinho hoje?
Um dos problemas de enfrentar qualquer desordem psiquiátrica ou precisar de auxílio medicamentoso é a falta de compreensão de amigos e familiares. Por vezes, isso é mais dolorido do que a patologia propriamente dita. As medicações evoluíram muito. Os efeitos colaterais são inevitáveis mas tecnologias cada vez mais ajudam a pesquisar as substâncias mais adequadas para ajudar aos pacientes a se recuperarem de episódios depressivos, fóbicos ou quadros ansiosos. O livro da CID - 10 propõe uma classificação de Transtornos Mentais e do Comportamento e conta com 283 páginas na Edição Brasileira de 1993 (Artes Médicas editora). É um trabalho árduo classificar e estudar as diversas formas do ser humano de enfrentar as dores que não podem ser verificadas por exames clínicos ou de imagem. O quanto dói? O que é uma dor suportável para cada um de nós...quanto nossa estrutura aguenta sem se partir? É um trabalho que envolve pesquisadores e clínicos em cerca de 110 institutos espalhados em 40 países. Médicose cientistas de várias partes do mundo. Para cada quadro uma profusão de alternativas para interferir no funcionamento químico do cérebro. Percebemos que o objetivo do remédio é "trazer de volta à média". Se temos um país de deprimidos e um mundo de ansiosos, o que passa a ser normal? Qual é a média de que tratamos aqui? Qual deve ser a medida do nosso século para a saúde e o bem estar mental? Talvez estejamos diante de uma ancestral necessidade de ordenar, classificar e detalhar seres humanos como Darwin com suas espécies. Quem sabe uma tentativa de buscar semelhanças e diferenças em determinados grupos. Definir estilos cognitivos, preferências de comportamento individual. E adaptar. Recuperar o sujeito. Torná-lo civilizado e útil. Adequado e funcional. Produtivo. Feliz. Equilibrado. Sim, estou exagerando. Isso para mostrar aos leitores o grau de impossibilidade que tratamos aqui. Cuidado para que não se torne vítima de uma massificação impositiva. Não admita ser tratado como louco só porque faz análise ou faz uso de eventual ou contínuo de uma medicação. Ninguém questiona se uma perna quebrada ou uma pneumonia precisa de tratamento. E, se este é o caso a pergunta-título ilustra bem uma forma de bullying. Ou, para usar um termo ainda mais em voga, psicofobia.