terça-feira, 25 de agosto de 2015

Lágrimas por trás do sorriso

Nasci em Londres. Parece glamouroso para quem ouve mas como em toda grande cidade, quem vai apenas nos pontos turísticos pouco ou nada sabe do que significa viver lá. Minha mãe se chama Hannah nome que está na bíblia. Soube depois que era nada menos do que a avó do que os cristãos acreditam ser o Messias. Moramos eu, minha mãe e meu irmão mais velho. Ele se chama Sidney. Nossa casa fica perto de Lamberth. Minha mãe foi abençoada ou amaldiçoada por dois dons: cantar e amar. Amou o pai do meu irmão e depois meu pai. Não é fácil acertar no casamento. É o que penso. Hoje tenho oitenta e sete anos e entendo perfeitamente minha mãe. Tarde demais. Ela era bastante brava, estourada, impaciente mas também intensa, emotiva e forte quando precisava. Um problema na laringe tirou sua profissão de cantora e os amores frustrados e lutas terminaram por agravar o que os médicos chamaram de uma depressão nervosa quando a internaram. Nada que eu já não soubesse intuitivamente como filho. Comia pouco, reclamava muito. Chorava sempre. Quando isso aconteceu, eu e Sidney tivemos que morar um tempo em um asilo para crianças. Foi um período duro mas nós sobrevivemos. Tentamos também morar com meu pai e sua nova mulher. Mas isso foi mais difícil ainda. Ele tinha problemas sérios com o álcool. Quando eu tinha 12 anos meu pai morreu. Provavelmente de doenças ligadas a seus péssimos hábitos. Ganhei o nome do meu pai. Mas felizmente acho que somente o nome. Meu pai morreu jovem e foi enterrado, sem nome em lápide, em uma cova comum. Demorei muito para me casar. Só o fiz quando me senti realmente apaixonado. Ela se chamava Mildred e tinha apenas 16 anos. Nossa união durou apenas dois anos de felicidade. Quando tinha trinta anos, recebi a notícia de que seria pai pela primeira vez. Demos a menina o nome de Norma mas ela nasceu no dia 07/07 com problemas graves de saúde. Eu sofri. Mildred sofreu muito mais. E, em apenas três dias, no dia 10/07, perdemos a pequena Norma. Depois disso, ainda permanecemos juntos por mais dois anos. de mais sofrimento em comum do que propriamente amor. Sabia que a vida seguiria em frente. Ele sempre segue.