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segunda-feira, 10 de agosto de 2015
Família
Quando era estudante de Psicologia na UFRJ em 1994 conheci, na Faculdade de Cinema, um tipo de Psicanálise que mudaria minha maneira de ler Freud e, ainda mais importante, eu mesma. O mestre havia feito análise com Jacques Lacan, um psicanalista pra lá de famoso, que propôs uma releitura, um retorno a Freud atualizando de forma complexa os conceitos temperados com linguística e matemática. MD Magno era o nome do professor, sempre vestindo preto. Muitas vezes com um colarinho clerical. Cabelos brancos, tênis nos pés. Dentre tudo que era dito o que fez meus olhos brilharem mais intensamente foram os impérios: cinco impérios ao todo - do Pai, do Filho, Do Espírito Santo e, finalmente, do Amém. Para uma presbiteriana de nascimento eram termos conhecidos. Estes mesmos impérios se refletem também na história da família e da humanidade. Como a Macroeconomia obedece às mesmas leis da microeconomia, aprenderia mais tarde. A família pode estar gozando de uma certa desordem mas ontem meus quase oitocentos amigos do Facebook estavam obedecendo ao antigo mandamento de honrar o Pai e a Mãe. Desde homenagens pos mortem. Claro reconhecimento do lugar do pai e da figura paterna - seja este um exemplo ou como Nelson Rodrigues chamaria, um pulha. Pais violentos, descontrolados, viciados, incestuosos, irresponsáveis são alvo de uma espécie de perdão coletivo - da compaixão no entendimento de que o Pai Herói pode ser também um bandido. A omissão do dever paterno, também foi sobremodo abordado. Pais que deixam cair toda a responsabilidade de proteger e criar os filhos sobre as mulheres são crucificados pela massa digital. A lógica que rege os compartilhamentos revela um fenômeno muito humano e antigo: tomar partido. Não estou me referindo a política. Longe de mim. Não escrevo sobre o que desconheço. Falo da adesão das ideias sobre as pessoas e o movimento quase fluvial das multidões fenômeno que já fora bem catalogado pela Antropologia e Sociologia nos eventos reais como estádios de futebol ou shows de rock. Voltemos a família. A dita "célula mater" da sociedade estaria realmente enferma ou moribunda? Ameaçada pelos entusiastas de uma dissolução desta? Ou mesmo os casamentos entre pessoas do mesmo gênero ou da adoção responsável estariam procurando reproduzir o modelo familiar nosso velho conhecido? Tenho mais perguntas que respostas. Ainda bem.