Crianças de cidade grande, destas definitivamente enclausuradas e condenadas ao isolamento, passam horas caçando vagalumes. Notícia boa. Destas que nunca passam em noticiários. “- É como se fosse uma mosca mas com um brilhinho no final.”
“- Parece da família dos besouros, ou será dos benjamins, quem sabe das joaninhas...”“ - Já capturamos mais de dez!!!” “- Se sacudir eles brilham mais.....” “ – Será que não ficam estressados???” ” – Ficam sim. Mas acho que é por isso que brilham mais...” “- É, as vezes acontece...”
Neste momento, algo inesperado. Junto dos vagalumes, no vidro já apertado para abrigar nem mesmo os irmãos, surge o inimigo: “- Capturamos uma aranha!!!” “- E é das grandes....e bravas” “- Eu vi, eu vi, ela comeu um vagalume!!! [lágrimas] . “- Eu quero ver também...deixa ela fazer de novo...” “- Que maldade!””- Maldade nada. É a natureza. A teia alimentar. Já aprendi isto na escola.” “- Mas assim é covardia, eles nem tiveram tempo de se defender, nem espaço para voar.” “- Está certo – diz alguém, com ares de juiz – Vamos libertá-los.
A ré e todas as vítimas de volta à natureza onde a caçada continuará de forma mais justa. Depois, a magia acabou. E eles voltaram ao normal. Buscaram logo a TV, o videogame e todas as coisas bem diferentes de toda aquela história de vida e morte, aprisionamento e liberdade e o peso da responsabilidade de decidir. Voltaram a ser simples crianças de apartamento. Mas, depois, dormiam todos juntos, sonhando separados.
E foi quando aconteceu. Por trás da televisão, sai um último vagalume que não voltou para a natureza. Se escondeu dentro da casa para admirar a beleza daquelas tristes infâncias. Se apixonou, o coitado.
Nova Friburgo, 31 de Outubro de 2.009
Nenhum comentário:
Postar um comentário