segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A Maldição do Nome

Outro dia escrevi sobre a Viviane. Vivaz, americana, simples e complexa, como todo mundo. Vida de Marley e eu. A diferença é que ainda tem dois filhos e ainda não tem cachorro (porque o marido não deixa). E nem uma piscina. Ela soube se reinventar fazendo mais do mesmo. Parabéns para ela.
Meu Pai também fez uso da palavra na festa. Ele se chama Guilhermino Cunha como seu Pai Francisco Cunha. O pai dele teve muitos filhos, filhos demais. Mas deixou de herança para o mundo um Pastor e um Psicanalista. O nome dele é Volney Cunha. Ele mora em BH. Numa casa com piscina em Belvedere. Quando visitei BH, em 2.002, já como bancária conheci Rogério e descobri que meu tio morava no Leblon de BH. É onde devem morar os psicanalistas. No melhor lugar. Icaraí se for em Niterói, Leblon se for no Rio. Fez logo tudo rápido. A casa, os três filhos: Alessandra Psicanalista, Claudia médica e Rodrigo psicanalista ou outra coisa que eu não falo com ele há muito tempo...
Mas ainda faltam os nomes. Meu Pai teve 3 filhos: Viviane, Liliane e Samuel. Descobri apenas agora em 2.010 [e não é erro de digitação...é que para mim já começou]. Que a nossa famíla é poliglota. O primeiro filho foi americano, filho do início da vida de casado, filho da ignorância. Eu sou a do meio. Eles já me fizeram bem complexa. Se mudaram do Espírito Santo para a terra prometida. Copacabana. Digo, para o rio de janeiro. 1.975. Eu marco a chegada aqui. Muitas possibilidades, muito sofrimento. Separação de novo. Minha vida foi cheia de divórcios. Mamãe se separou da mãe dela para Cachoeiro, depois para os EUA, depois para o Rio. E este ano, se separou dela bem mais. Vovó Isaurinha morreu. Nunca esteve tão viva...
Mas mal falávamos de morte, e lá vem a vida... O assunto não é perda. É o nascimento de um bebê, mais recente, mais vivo, mais fofo. Que nome será dado a este bebê? Meu Pai escreveu numa plaquinha porque mal conseguia falar: LILIANE.
Era um nome Francês. Podiam ter me ajudado. Me colocado logo para estudar no Franco Brasileiro no Largo do Machado. Só fui aprender minha língua natal recentemente, tardiamente. Fui parar no Bennett. Metodista. Fala, mas fala diferente. Lindo meu primeiro colégio. Grande. Cheio de árvores. Com rampas, escadas e prédios...fui muito infeliz lá. Nunca me senti pertencendo ao Bennett. Ás vezes, os pais erram assim. Uma quadra. Ás vezes, fazem a maior lambança. Mas é importante que façam alguma coisa.
Eis o que queria dizer: meu nome é um triangulo. Tudo é triangulo dizia Bowen (Austrália, topo do mundo, não sei a data o Google não quis me contar hoje). Famílias grandes são mais saudáveis. Porque tem muitos triângulos possíveis. Você, um irmão e um Pai, Você, sua mãe e sua irmã, Vocês 3 irmãos, seu Pai, sua mãe e sua irmã. É isso aí. As vezes você está fora do triangulo. Isso dói. Mas é bom. Meu triangulo predileto é o da Revolução Francesa. Que antigo. Que clichê. Que atual. Liberté, Egalité e Fraternité (Rousseau, meu Pai, 1789).
Liberdade. Foi o primeiro ideal que aprendi. Este, nasci sabendo. Me libertei do peito da minha mãe, do colo dela, da comida dela ainda não. Da comida é mais difícil. Desde de pequena achava que meu nome era com “L” por causa da liberdade [ainda bem que ainda não existia internet, quando eu era pequena]. Me desiludiria mais rápido. Busquei a liberdade como o Diabo foge da Cruz. Com desespero de causa. Tem um texto de não sei quem nem quero saber, sobre uma pipa. Lia para todo mundo que conhecia. O menino ficava soltando uma pipa e acabava se queimando todo. Morria esturricado. Morria de medo de ser pipa avoada. Mas soltei, com a ajuda de alguns, menos do meu Pai. Depois, e só no sábado, descobri que era melhor soltar balões. Sem pipa, sem linha. O balão é perigoso. Agora, mais recentemente, é até proibido. Mas se for assim, uma bola de aniversário, pode soltar. Pais, antes de soltar, veja se é uma bola ou um balão. Digo isso, porque no dia das crianças uma vez soltamos mais de 1.000 bolas na Igreja. Tinham uma mensagem pronta na ponta, horrível. Sei que elas subiram e não sei onde foram dar. Algumas devem ter subido o morro. No Rio tem muito morro...Meu balão só voou onde tinha que voar. Deus cuida de mim. Na sombra das suas asas. Mas me levou para uns lugares bem estranhos, com gente esquisita. Tipo uma boite em São Paulo. “It must be so” – diz o profeta Samuel Doctorian.
Quando olho os fragmentos de minha estrada, meu passado, penso que está tudo onde deveria estar. Ou não.
Igualdade. Só descobri depois que todos eram iguais perante a Lei. Depois publico a Lei. Tem várias. Gosto de uma mais que das outras. Aprendi com o Pai da minha filha, Antonio Duarte, como sua mãe. Que igualdade é tratar diferente aos desiguais. Achei estranho. A frase não é dele. Mas para mim, é. Quer saber de quem é digita no quadrado branco, se não quiser, tudo bem. Você não precisa saber de tudo. Os computadores já sabem. Você tem que saber de você. Tinha muitos funcionarios. Eu não dou conta de 10, 5...ele tinha 400. 400 filhos, cansa. Talvez por isso esteja um pouco cansado de ser Pai. Eu entendo. A Bia não.
Por último e só depois descobri a Fraternidade. É preciso odiar muito para aprender a amar. Ou melhor, é preciso mestria para lidar com o amoródio e com o ódioamor. Ela está por todos os lados. E quase em lugar nenhum. Maçonaria, Lions, Rotary, Academias, congressos...uma das manias do meu pai é pertencer. Eu fundo sociedades. Podem ter no máximo 4 ou 5 pessoas senão vira um futebol. Gosto das contratos sociais de dois sócios, mas dá confusão. Voltamos a Bowen, um triangulo é sempre mais saudavel, se ninguem se machucar com as pontas. Quase impossível. Meninas montam clubinhos. Bia e mais 4 amigas (não disse...) fizeram o clube das fadas. Depois mudaram para GPS. Preferia o nome anterior. Adoro fadas. Fiquei sabendo que uma pessoa escreveu um livro chamado “A fada no Divã”. Deve ser sobre o feminino. Não preciso ler. Para certos livros, me basta o título. É bom que alguém esteja preocupada com o feminino. Eu estou. Mas cheguei atrasada. Me atraso, as vezes. Meu Pai e minha mãe mandaram chegar na hora sempre....chaaaaato.
Estou terminando. Ia pedir desculpa pelo texto grande fiz isso em um email que passei para meu Pai, achei ridículo depois ele me deu uma resposta maior ainda e fiquei com vergonha. A gente tem que falar o que pode, lembrar do que pode. Seria horrível lembrar de tudo. Deus lembra. O Google também. Deve ser horrível ser Deus. Deve ser um barato. Tem dias que deve ser chato.
Saramago tem uma pena que se pela de deus, do mundo, das pessoas. Por isso escreve bonito. Tem fraternidade, e tem liberdade...porque escreve o que ele quer e todo mundo lê. Não é como estes escritos, que só tem 5 seguidores. Aliás, tomei uma decisão hoje. Tirei os seguidores do blog. Quem tem seguidores é Cristo. Eu tenho meia dúzia de curiosos...
Mas não terminou ainda. Papai poderia ter tido duas meninas e ficaria contente. Duas mulheres já dão trabalho para uma vida inteira. Mas eles quiseram fazer o Samuel. Em hebraico. Acho muita sacanagem colocar um nome em hebraico. É tudo muito velho. A Europa é velha mas o hebraico Deus-me-livre. Ninguém aprende mais. Em escola nenhuma. Samuel foi para uma escola Britânica. Era velha, mas nem tanto. Este ano conheceu sua terra natal e quase pirou. Descobriu que não sabe nada. Ainda bem. Agora, quem sabe ele aprende alguma coisa. Mestrado em Engenharia na UFRJ não ensina quase nada. Nem em escola nenhuma. Agora me lembrei de todos os pastores e rabinos que sabem umas palavrinhas em Hebraico. Acho que Hebraico fluente assim para um rabino e um pastor conversarem, é difícil. Estranho isso, leem o mesmo livro e pouco conversam...é por isso que sobre o Samuel eu não posso escrever. Já dei conta da Vivi, de um pedaçinho dos EUA, de mim, de um fragmento da França. Agora, Samuel é problema dele. Um problema para a vida inteira. Sorte dele...
Liliane Cunha – Rio de Janeiro, 17 de Dezembro de 1.999, desculpe, 10 anos depois

5 comentários:

  1. 1999 ? Quem viajou no tempo? O texto ou você?
    Evaldo

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  2. Eu, reverendo...e não é uma boa viagem. Não precisa de passaporte mas o preço estou pagando até hoje, na drogaria. As vezes, Papai paga a conta...azar Dele. Bjs Lili

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  3. Tenho muito orgulho de ter uma irmã tão brilhante... Ignorance is a blessing!
    Te amo, Lili!
    Beijos,
    Sam

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  4. Concordo o conhecimento é um caminho sem volta boa coisa é a ignorância mas...não queria a minha de volta mesmo com o alto preço quero saber!!! De mim, do outro e de Deus. Bjs, Lili

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  5. Rodrigo meu primo citado acima mandou por email:

    Eis que nesta manhã chuvosa de terça - feira descubro que uma prima MUUUIIIIIIITOOO sumida tem blog...
    resolvi então dar uma passadinha nele para deixar um beijo para ela
    Beijo do seu primo Rodrigo de BH (e psicanalísta também... o texto está correto...hehe)
    mande notícias...

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