quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Influências e Agradecimentos

Sou apaixonada por cinema e literatura. O cinema veio depois. No início, era o livro. Fui criada em uma casa coberta deles. Meu pai, pastor, PHD em Teologia, formado em direito e filosofia. Minha mãe, professora formada em letras inglês e português. Gosto dos novos e do cheiro das livrarias. Gosto mais ainda dos velhos, já lidos, marcados. São como pessoas. Ler é como conversar. Sentia-me mais segura com um livro embaixo do braço. Levava no ônibus, para a escola. Lia nos recreios. Antes dos livros, o recreio sempre foi um problema. Todas aquelas crianças, jogando bola, correndo. Eu, não. Usava óculos e tinha uma medo incrível de ser atingida por uma bola. Temia a bola como o juízo final - parodiando Nelson Rodrigues. Eis o que queria dizer: minha vida e modesta obra é e sempre será um plágio. Um mosaico dos amores que me afetaram. Me apaixonei pelo livro, como por um amante.

Lygia Bojunga foi uma das primeiras paixões de minha infância cumpriu comigo a missão que relata em um de seus belíssimos textos, que "seu trabalho era construir livros para que as crianças possam morar neles". Morei lá muito tempo. Talvez tempo demais. Tinha medo das pessoas.

Assim fui sendo capturada pela paixão pelo humano, pelo romance, pela poesia, pela emoção...os escritores vêem a vida de dentro. Escolhi fazer psicologia por isso. Queria ver as pessoas por dentro, principalmente as que sofrem. O sofrimento tem uma poesia natural. As pessoas estão lá, fazendo análise e de repente, fazem poesia. Assim meio sem querer como o poeta do filme "O carteiro e o poeta". Ele o procura por amor, para conquistar uma mulher. Mas os dois eram poetas. Neruda publicava. Ele não.

Já começo a falar de cinema. Esse amor veio depois. A mesma vibração, outro tipo de arte. Não gosto muito de livros que viram filmes, como todo mundo. Mas agora estou aprendendo a admirá-los. "Marley e eu", "O caçador de pipas" e "Ensaio sobre a cegueira". A ordem foi sempre essa, primeiro o livro. Depois, o filme. Na verdade, quando leio o livro faço um filme na minha mente. Nunca igual o do diretor e roteirista. É como se fosse um outro lendo o livro para você. Gosto de ler para os outros. Principalmente quando estou apaixonada. Pelo livro ou pela pessoa. Já li para cegos. Mas agora este trabalho voluntário está em baixa. Estão vendendo livros em audio nas livrarias. Uma pena.

Esta semana escrevi apenas para agradecer. A todos aqueles que investem em produzir livros e filmes. Que nos fazem rir, chorar, viver por outros. Me sinto uma mulher de sorte. Já vivi muitas vidas.


Liliane Cunha - Rio de Janeiro, 17 de Novembro de 2.009

10 comentários:

  1. Amiga! não fui a primeira seguidora, mas o primeiro comentário é meu!
    Como vc, adoro livros e cinema. Hj em dia minha leitura tá em baixa, lia muito no onibus e metro. Como já faz algum tempo que nao uso transporte publico, tenho bem menos tempo pra ler... Amo ler tudo que vc escreve e fico feliz por enfim ter começado com seu blog. Muito sucesso! Já divulguei pra todo mundo. Bjs!!!!

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  2. Acho que vc deve vender seu carro e começar a ler novamente no ônibus..rsrs. Valeu pela divulgação! Bjs, Lili

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  3. hahaha... impossivel viver sem carro em Macaé...
    Bjs

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  4. Essa é a Lili. Comentar o que de alguém que fala com a alma? Se vc não estiver na mesma sintonia, nem se aproxime, será rechaçado sem remorsos. Entendo a Lili como sendo aquela mulher inteligente, sensível, charmosa, competente, profissional, "maluca beleza" antenada com as coisas do mundo, observadora, linda, sensual; enfim, uma mulher diferenciada que, pela minha absoluta incompetência, não fui capaz de ter ao meu lado. A Lili vive no mundo da literatura; por isso, enxerga a vida como ninguém, numa deliciosa mistura do real com o imaginário. Esse é o segredo, essa é a mágica da vida; esse é "pulo do gato" que só pessoas como a Lili têm o poder de detectar, filtrar e transformar em conhecimento útil. Lili, vc é a pessoa a ser alcançada. Fique bem e feliz. Bjuusss. Jami.:

    PS: Na verdade, fui o primeiro a postar. Por razões de natureza técnicas, até então desconhecidas, ainda fui aprovado.

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  5. Querido Jami,
    Você não foi o primeiro a postar por falta de conhecimento eletrônico e internético. O Andrey e a Bia são e-babies, somos webssauros...rsrsr
    Eu não sou meta para ninguém, sou apenas uma brasileira que não desiste, que está no Caminho, tentando ser guiada pelo Espírito, e ser feliz!

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  6. Lili, ía comentar algo, mas deixa pra lá. Vc já conhece até a minha alma. Seria redundante. Só pra não ficar em branco, estou adorando ver o seu progresso e me sinto até um pouco envolvido nisso tudo. Fique bem e feliz. Bjuxx.

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  7. Anonimo,
    Não sei de quem já conheco a alma, so conheco a minha alma, mesmo assim as vezes ela me surpreende!!!!

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  8. Adorei entrar aki e ler seus textos. Dizer que te admiro é redundate. Obrigada por fazer minha tarde mais completa estando aki
    Bjs
    Vivi

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  9. Oi Lili,
    Difícil falar de vc sem enumerar qualidades ímpares e mencionar alguns poucos defeitos.
    Os outros seguidores irão, por certo, se deliciarem com colocações e posturas que fariam qualquer Deusa do Olimpo morrer de inveja. Aguardem.
    Adorei ver que vc adora o filme Crash. Ele tbm tem um significado indescritível lindo para mim. Acho que jamais assistirei outro filme igual. Esse é nosso filme então.
    Continue assim, com a simplicidade dos sábios, com a sensibilidade dos poetas, com a inteligência privilegiada de poucos e com a sutil beleza da alma e do corpo que falam por si só.
    Fique bem e feliz. Bj ...
    Jami

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  10. Jami,

    Seu amor e admiração me deixam constrangida, sem palavras...Bjs, Lili

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