quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Judeus

Estamos perto do natal, deveríamos estar escrevendo sobre Cristo. Tem muita gente falando Dele, tentando imita-Lo. Mas esta semana quero tratar deste anti-herói bíblico. Todos conhecem a estupidez de Sansão quando deixa Dalila cortar a fonte de sua força. Mas pouco prestam atenção nos fatos que envolveram seu nascimento.

A história está em Juízes, capítulo 13. O relato bíblico começa assim: "Tendo os filhos de Israel feito o que era mau perante o senhor, este os entregou nas mãos dos filisteus por 40 anos". O Deus-Pai do antigo testamento tinha um povo escolhido. Os judeus e só eles eram o povo de Deus. O povo era protegido e punido e submetido a Lei de Deus que tem um belo resumo nos conhecidíssimos dez mandamentos. Com o Deus-Filho houve uma democratização da graça de Deus. Todo homem que se arrependesse dos seus pecados e acreditasse em Cristo como Filho de Deus na Terra e fonte de salvação, já fazia parte do povo de Deus.

Mas voltemos aos judeus. Povo interessante. Conheci pouquíssimos em minha vida. Na verdade, 4 apenas: Daniela, Alberto, Andre e Márcio. Dois deles foram meus chefes. Todos muito inteligentes, competentes e agradáveis. Penso muito no que aconteceu com eles na Europa sempre me espanta esta perseguição tão recente que tanto nos ensina sobre tolerar as diferenças e superar preconceitos. Lembro-me de toda profusão de filmes rodados sobre este assunto, a maioria deles belíssimos com "A lista de Schindler", "A vida é bela" "O menino do pijama listrado" e o último que vi "Um ato de liberdade", que já gostei até pelo título. Pesquisei no google, oráculo da modernidade, e este período foi de aproximadamente três anos. Comparado ao antigo testamento, pouco tempo. A disciplina divina era aplicada constantemente. Um erro, um dilúvio. Outros erros, destruição de Sodoma e Gomorra. E quando nasce Sansão, está terminando mais um ciclo de quarenta anos de ira divina. Coincide com o tempo que perambularam pelo deserto para achar a terra prometida. Sairam de uma longa opressão no Egito para uma terra que "mana leite e mel"[..e que já estava ocupada]. Mas isso já é uma outra promessa, e uma outra história.

Falando em promessa, quando nosso heroí nasceu, a mãe dele recebeu uma promessa. Foi na conversa com o Anjo que foram dadas as instruções com relação aquele filho da promessa: não tomar vinho nem nada da videira e não ferir as pontas dos cabelos. Seria nazireu. Uma espécie de consagração especial. E o motivo da perda da força de Sansão foi justamente revelar a Dalila o segredo: se lhe cortassem os cabelos voltaria a ser uma pessoa normal. Talvez venha desta antiga história e de seu trágico desenrolar o preconceito absoluto do povo judeu com os casamentos mistos. Hoje está tudo muito mudado e 60% dos judeus casam com quem eles escolhem. O que aparece novamente na carta de Paulo aos Coríntios como julgo desigual.

Naquele menino, Deus começaria a dar novamente ao povo a Liberdade que Ele havia tirado. A mãe de Sansão não tem nome. Diz a bíblia somente isso: que era estéril. Uma mulher já pouco valia. Uma que não podia dar filhos a Manoa, seu marido, para quê serviria? Apesar da falta de nome, sua percepção exotérica era bem maior que de Manoa. Identificou prontamente o Anjo do Senhor, enquanto que a obtusidade do marido se manifesta no desejo de alimentar fisicamente o Anjo. Ao que este responde: use este mesmo cordeiro para holocausto ao Senhor. Quando o Anjo sobe na fumaça do sacrifício, ele constata, tardiamente: "Era um Anjo!" diante do olhar entediado da mulher. Em desespero, ele afirma: - Vimos a Deus, vamos morrer. E a mulher sem nome mas com sabedoria responde:"- Não vamos morrer, temos uma promessa e um bebê que é o síbolo da confiança de Deus em nós". E quem tem promessa, não pode morrer - ressoa em minha alma um cântico gospel.


Liliane Cunha - Rio de Janeiro, 8 de Novembro de 2.009

Nenhum comentário:

Postar um comentário