quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Psychonomics

É impressionante o efeito dos números e gráficos sobre as pessoas. Quando falamos em fórmulas, algoritmo ou tratamento estatístico alguns imediatamente bloqueiam a mente ou tem arrepios. Isso é particularmente característico dos estudiosos das ciências ditas humanas. Esta semana, publiquei a frase de Lacan na introdução ao Seminário 11: “Uma falsa ciência, assim como uma verdadeira, pode ser posta em fórmulas”. A ideia de introduzir uma álgebra da Psicanálise seguia a ânsia deste autor e de seu mestre Freud em se importar se a Psicanálise é uma ciência. Além do flerte com a matemática, Lacan tornou-se especialmente conhecido pelo transito que este médico-psiquiatra-analista empreendeu pela linguística. É na fala do paciente que se encontra o precioso material para o trabalho analítico e ela se impõe como o objeto por excelência da pesquisa em Psicanálise. Infelizmente, na maior parte das vezes, a literatura psicanalítica é lida tão somente pelos próprios analistas e, comumente de uma degustação confusa, desinteressante e pseudo técnica. Os termos cunhados por Freud e Lacan são fielmente empregados e esta fidelidade quase eclesiástica leva a crer que estes profissionais tomam Freud por um Deus e Lacan como seu único profeta legítimo. Certamente não me coloco entre estes, o que não me impede de ser uma franca admiradora de Freud, Jung, Reich, Lacan entre outros, incluindo literatura de outras linhas como Bernard Rangé – meu dileto professor de TCC (Teoria Cognitivo-Comportamental na UFRJ). Preciso deixar claro que nunca me filiei a nenhuma associação de psicólogos ou analistas, exceção feita ao CRP/RJ – obrigatório para o exercício da profissão. Apesar de ter estudado amplamente as obras acredito que foram ou livros e minha própria análise o escopo e fundamento da minha “práxis”. O termo que dá título a este post foi formulado em 1959 por um grupo de estudantes e professores de Psicologia em Chicago. É uma escola que tem como autores proeminentes Dewsbury e Bolles. Tomo emprestado para trazer luz ao bizarro, ao particular e a dificuldade mesma do objeto de nosso estudo e prática clínica. A fala do paciente em análise e seu impacto sobre a teoria e a prática da Psicanálise. Quando estudei economia fiquei encantada com a obra “Freakonomics - O lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta” – trata-se de uma coletânea de estudos do economista Steven Levitt, Ph.D. pelo MIT, em parceria com o jornalista Stephen J. Dubner onde temas polêmicos sobre comportamento e hábitos da sociedade americana são analisados por uma ótica “freak”. Depois deste célebre volume, já escreveram outros como “Super Freakonomics” e “Pense como um Freak”. Minha experiência de dezesseis anos consecutivos no mercado financeiro e os dois MBAs cursados nesta seara do conhecimento em instituições reconhecidamente renomadas (FGV-RJ e Ibmec-SP), sendo assim não me apavoram os números e gráficos. Por isso, como parte do que tenho construído com os alunos do Grupo de Estudos Multidisciplinar tomo a liberdade de compartilhar um pouco das reflexões que faremos ao longo deste ano de 2017 e este agradável mergulho nas páginas de Jacques Lacan.