quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A Síndrome do Logradouro

A história é a seguinte. Quando solteiras, viúvas e divorciadas, as mulheres se reúnem em pequenos grupos de 3 ou 4 e saem na noite ou na balada, como preferem os paulistas. É uma guerra. Tudo acontece muito rápido. As pessoas chegam tarde. Se arrumam para impressionar (Dress to Impress). Comem bobagens, bebem um pouco. E mentem, às vezes. Números de telefone inventados, nomes trocados. Lá meu nome é Lúcia, viúva de Nelson Rodrigues. Sem problema, ninguém lê mesmo...

Mas o mais divertido é a obsessão do carioca pelo endereço. Outro dia estava na Barra na boite 021, eu e mais duas amigas, é claro. Os rapazes se aproximam, perguntam nomes, comentam amenidades. E logo a segunda ou terceira curiosidade diz respeito ao endereço. “– Moram por aqui mesmo?”. No início falava a verdade. Depois, tive uma idéia. Dizia que morava em Belford Roxo mas estava passando o final de semana na casa de uma colega em Jacarepaguá. Para outro disse que fui nascida, criada e adoro São Gonçalo – melhor bairro do Rio de Janeiro. Assim vamos brincando com os espantos e preconceitos do carioca moderno. Nossos conterrâneos acreditam em uma espécie de horóscopo do logradouro. Tijucano tem um perfil, Zona Sul de copa é diferente de Ipanema e Leblon, Baixada um coisa, zona oeste outra...é uma santa ignorância. Tem lugares bacanas em todos os bairros. E gente interessante e gente chata. Conheci bem todo o Rio, viajei pelo Brasil por mais de 5 anos, treinando, incentivando, premiando, conversando, contratando e recolocando pessoas. A letra da música pop está certa: “There’s so many special people in the world”….

Pena que pouca gente cuida do próprio jardim...e seguem pelas baladas procurando um lugar melhor para estar. A sede de amor é grande mas todas terminam lembrando a velha imagem zen. Dois mendigos com as mãos estendidas oferecendo o que não tem e querendo achar no próximo aquilo que eles mesmos procuram. Não é a toa que o mundo jaz em depressão, com delírios de fim de mundo como nunca.

Ontem ouvi uma brincadeira legal que para cada homem e mulher da cidade tem um cidadão rato. Caçando sua comida nos lugares apropriados ou não. Não sei qual seria a solução para esta profusão de ratos. De qualquer forma, estou fazendo minha parte: adotei uma linda, minha filha lhe deu um nome, compramos casa, brinquedos, liberdade condicional (na bola) e muito amor, que isso eu tenho de sobra.

Sobre o título deste escrito, minha personal coaching sugeriu que fosse “Abalou Bangu”. Achei legal, seria uma ótima oportunidade de homenagear meu amigo Fred e seu irmão que residem nesta região tão calorosa da cidade maravilhosa...40 graus à sombra (rsrsr). Mas preferi uma chamada mais reflexiva do ponto de vista médico sintomatológico.

Como já dizia o poeta: “Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite...tudo pode mudar”. Prefiro a fila da Mega Sena. Saí mais barato e com maiores chances de mudanças de vida.

Liliane Cunha – Rio, 02 de Janeiro de 2.010

4 comentários:

  1. Muito legal o texto! Nada mais divertido do que inventar personagens para conhecer pessoas (ou personagens) novas.... Beijos!
    Samuel

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  2. Obrigada! É um hábito divertido que pode tomar proporções perigosas: Aprecie com moderação...rsrsr

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  3. Como assim?????
    Eu sempre uso o mesmo nome nos meus personagens... Assuero.
    As vezes me apresento como médico, as vezes professor, milico, filósofo de botequim, oficial de igreja, motociclista,bibliófilo, misantropo, colecionador, ofilho de minha mãe...

    Bom, o fato é que ha uma legião de "Assueros" dentro de mim... as vezes alguns deles perdem o controle... e vem o oficial de igreja, o milico e o professor e enquadram todo mundo!!!! acabam logo com a farra... rsrsrsrsrs

    Bj

    Assuero
    ( agora como " notívago " )

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  4. Nem eu...este negócio de trocar de nome é uma loucura...estou com mesmo nome desde que nasci...este post é uma severa crítica a forma superficial e randomica de escolher parceiros. Estatíscas americanas afirmam que as pessoas pesquisam mais para comprar um carro do que para escolher o companheiro(a)...deus-me-livre!

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