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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
Leveza nas palavras
Duas coisas fazem os seres humanos inexoravelmente alheios à natureza. São eles: a sexualidade e a linguagem. No que diz respeito à primeira, somos mamíferos complexos. Quando falamos de sexualidade humana temos uma falta de objeto. Diferente dos outros animais, ela não é cíclica e é passível de todos os ajustes e configurações. Somos todas as opções e nenhuma delas.
Mas esse texto não é sobre isso. Recebi o inusitado e honroso convite para produzir um texto que poderia constar nas páginas de um livro ainda desconhecido por mim. Sim. Ruth Vianna, queridíssima, me telefona um sábado à tarde e me apresenta o desafio de escrever sobre encomenda. Escrever sobre uma obra da qual não saberia nada. Apenas o título.
Passaram-se coisa de três semanas até que as primeiras ideiazinhas germinassem. O tema é amplo, complexo e essencial. Leveza nas palavras. Um pedido? Uma afirmativa? Uma recomendação? Para mim, toda vez que pensava no título e no desafio sentia algo novo. Imagino o contrário: o peso das palavras. O oposto. Como algumas palavras, frases, adjetivos, conjunções adverbiais e outros bichos podem ser duras e pesadas. A mãe que chama seu filho de lento, rebelde, inteligente ou criativo, por exemplo.
As palavras pesam. As palavras marcam. As palavras têm poder. Foi assim que o livro surgiu na minha imaginação. Um apelo, uma reflexão, o aviso de que seria muito bom , seria ótimo mesmo, que as pessoas pesassem suas palavras antes de falar. Refletissem acerca do impacto de suas palavras. O mundo seria muito menos barulhento, acelerado se a gente começasse a, lentamente, ponderar nossas palavras antes de colocá-las para fora.
Palavras são como flechas: uma vez lançadas não retornam ao arco. Não adianta pedir perdão. “Retiro o que disse”. Não. É impossível. O que foi dito está dito. E, como estamos diante de um livro, o raciocínio é bem semelhante. O que fora escrito está publicado. A quem interessar possa. A sabedoria e sensibilidade de Ruth Vianna está em suas mãos. Leve. Releve. Eleve. Aprecie este livro como um presente de palavras que vão ressoar em seu cérebro e coração.
Vamos ao livro!
Com gratidão,
Liliane Barreto da Cunha
Psicóloga e Psicanalista
Membro correspondente da AELB
lilianebcunha@gmail.com
Rio de Janeiro, 19 de dezembro de 2025