quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A muda

Ontem participei de uma experiência incrível. Um grupo de estudo on line via skype. Foram quase 60 minutos com um Mestre e 7 convidados.

Como era nova no ambiente, resolvi em meu coração e mente que permaneceria mais em silêncio seguindo o bom e velho Salomão. O falar é prata mas o calar é ouro.

O humor da situação foi que, na minha qualidade de webssaura, nunca tinha experimentado falar na internet, só escrever.

Conseguia ouvir perfeitamente o Mestre, os participantes e todas as vezes que fui chamada a participar falava em voz alta, mexia no volume, procurava gerinconças eletrônicas...e nada. O som da minha voz e a respostas as perguntas que me foram feitas foi o puro e cristalino silêncio absoluto.

A falta de educação pior foi quando todos agradeceram aquele momento e se despediram.

Lembrei de uma história de viagem engraçada. A cunhada da minha irmã, em Nova York, médica híper competente entra em um shopping de descontos com mais três amigas. Congelando de frio lá fora e fritando lá dentro, teve uma faringite fulminante - daquelas que é difícil até engolir a própria saliva.

A vendedora explicava os produtos em inglês, em espanhol, as meninas tagarelavam fazendo compras. Nadir respondia por sinais: sorria, balançava a cabeça, torcia o nariz.

Depois de uns trinta minutos a vendedora resistiu ao silêncio da jovem. "Que língua ela fala? Sei espanhol, francês, um pouco de alemão..."

"Ela fala português, como nós, brasileiras".

A vendedora poliglota se despede, sem graça.

"Desculpe, não sabia que sua amiga era muda".

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