sábado, 8 de maio de 2010

ET phone home

Acho que devo desculpas aos meus leitores: mais de 15 dias sem uma única palavrinha! É bom estar de volta e fazer as pazes com a caneta. Com a caneta, sim. Para ler e escrever dispenso as modernices. Leio e escrevo no papel.
Tenho vivido dias de intensa observação, nostalgia e alguma solidão. Trata-se de uma estranheza familiar. Velha conhecida de minha infância. Sensações que experimentava quando era a última a ser escolhida para os times de volei ou queimado da escola. Maus tempos aqueles.
Vejo as pessoas andando pelas ruas e não posso deixar de reparar as esquisitices de nosso dia a dia. Crianças pequenas tagarelam empolgadas e recebem monossílabos indiferentes como resposta. As mais velhas já caminham silenciosas, conformadas com o fato de não serem ouvidas há muito. E assim se deslocam da escola para o inglês, o ballet, o judô, em uma vida equilibrada que os pais não levam mas proporcionam aos filhos. Tentativa bonita de melhorar a cada geração.
Nos restaurantes e bares, amigos se encontram, namorados se entendem ou brigam e não prestam atenção a mim, é claro. Eu observo a vida como se tivesse chegado ao planeta hoje. Com meus olhos atentos, surpresos e assustados. É tudo tão estranho e conhecido. Me sinto como quem reencontra um parente que não vê ha muito tempo...

Um comentário:

  1. Este seu post lembrou-me um filme cujo argumento era de que as crianças antes de aprender a falar conheciam todos os segredos do universo, mas começarem a falar se esqueciam e se tornavam meros mortais.
    Parece verdade: antes de crescer vivemos como se soubessemos de tudo e somos mais felizes. Quando crescemos desaprendemos a felicidade... Aí vivemos o resto da vida correndo atrás dela. Que pena.

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